MÓDULO 2 | AULA 3 Toxicologia dos medicamentos e tabagismo
Toxicocinética da nicotina
De modo geral, a nicotina é pouco ligada às proteínas plasmáticas, sendo rápida e amplamente distribuída aos órgãos e tecidos; além disso o fumo de cigarro tem pH baixo, devido à confecção do tabaco para esse destino, curado em temperaturas específicas, deixando o pH em torno de 6.0. Nesse nível a nicotina fica na sua forma ionizada, conforme o número de tragadas, a acidez aumenta, a um nível que a nicotina fica totalmente ionizada, atingindo principalmente os alvéolos pulmonares, diferentemente do tabaco destinado à produção de cachimbos e charutos, curado ao ar livre em condições naturais, com pH na faixa de 7.0, fazendo com que a nicotina seja liberada em forma não ionizada, tornando-se facilmente absorvida pela mucosa.
Sua metabolização ocorre em cerca de 80% a 90% no fígado e o restante no pulmão, onde é biotransformada principalmente em cotinina, metabólito que possui meia-vida em torno de 15 a 20 horas. A excreção da nicotina de forma inalterada irá depender do pH urinário, em urinas mais ácidas é excretada de forma inalterada em maiores quantidades do que em urinas mais básicas, o consumo de álcool por sua vez está relacionado com a acidificação da urina, fazendo com que os dependentes sintam a necessidade em diminuir o intervalo no consumo de cigarros nesse cenário.
O tempo de meia-vida da nicotina é em média 2 horas, porém, somando-se os valores das meias-vidas subsequentes, estima-se que um fumante regular possua níveis significantes sanguíneos por pelo menos 6 a 8 horas depois de cessado o ato de fumar, visto que essa nicotina está em constante reposição no organismo pois, além das concentrações tragadas, há também a absorção das concentrações inaladas.
Apesar de os picos de nicotina ocorrerem durante o ato de fumar e diminuírem em seguida, suas concentrações permanecem elevadas por horas, de modo que ainda estão presentes no organismo durante o sono. Dessa forma, a intoxicação por nicotina é constante, agindo durante as 24 horas do dia, nenhuma outra droga age dessa maneira. Devido à essa exposição contínua e pela sua rápida chegada ao cérebro, estimulando os circuitos cerebrais de recompensa liberando endorfina e dopamina, a nicotina causa rápida dependência aos seus usuários, sendo considerada pela OMS uma droga psicoativa.