MÓDULO 2 | AULA 3 Toxicologia dos medicamentos e tabagismo
Composição química do tabaco e da fumaça do cigarro
O tabaco é uma planta que tem como principal princípio ativo a nicotina, um líquido alcaloide que possui base volátil e apresenta-se como um líquido oleaginoso de cor escura, devido à sua oxidação em contato com o oxigênio. É absorvida facilmente por vias orais, dérmica, mas principalmente pela via pulmonar. A depender da região de cultivo, o tabaco pode conter cerca de 500 constituintes advindos do seu armazenamento e plantio e quando queimado, pode chegar a mais de 7.000 substâncias.
A fumaça do cigarro resulta da combustão incompleta do tabaco, onde ocorrem reações de pirólise, síntese e destilação. Essas reações fracionam e recombinam componentes, como a nicotina, tornando-os mais concentrados. A composição da fumaça depende da qualidade do tabaco, do filtro, do papel e da temperatura de queima, variando conforme o método de consumo que pode ser cachimbos, charutos, rapé, narguilé até o tabaco de mascar, que apesar de não haver combustão também fornece riscos à saúde.
De modo geral as substâncias estarão presentes, a depender das suas propriedades físico-químicas, nas duas principais fases do processo de combustão:
Composta principalmente pelos gases e vapores formados na pirólise e na síntese pelo calor onde os principais componentes presentes, do ponto de vista toxicológico são: monóxido de carbono, óxido de nitrogênio, amônia, aldeídos, nitrosaminas voláteis específicas do tabaco (TSNAs).
É formada por um aerosol contendo as substâncias voláteis como o alcatrão, constituído principalmente por hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA’s), fenóis, cresóis, nitrosaminas, compostos radioativos, metais tóxicos e agrotóxicos absorvidos pela planta. Além do alcatrão, a fase particulada é composta por água e a nicotina, nesse processo o alcatrão será tudo o que sobra após a extração da nicotina e da umidade.
Já os DEF’S não queimam tabaco, produzindo menos substâncias nocivas. No entanto, seus líquidos e aerossóis contêm nitrosaminas, aldeídos, metais tóxicos e hidrocarbonetos, além de flavorizantes e solventes como propilenoglicol e glicerol, usados para simular a fumaça e fornecer diferentes sabores.
A fumaça ativa é inalada diretamente pelo fumante, enquanto a passiva é a mistura da fumaça exalada e liberada pela ponta acesa do cigarro. Em ambientes fechados, a fumaça passiva se dispersa lentamente e forma partículas pequenas que permanecem suspensas no ar. Essas partículas podem atingir as vias respiratórias de fumantes e não fumantes e ultrapassam os limites seguros de qualidade do ar, expondo todos a riscos cancerígenos, cardiovasculares e respiratórios. Além disso, a nicotina na fumaça passiva é três vezes maior do que na fumaça que inalada pelo fumante.