MÓDULO 2 | AULA 3 Toxicologia dos medicamentos e tabagismo
Fatores que influenciam a toxicidade dos medicamentos
Vias de administração
A via de administração de um medicamento é um dos fatores mais determinantes para como ele será absorvido, distribuído, metabolizado e excretado pelo organismo. As vias são classificadas como enteral, parental, tópica e inalatória, dependendo do local de administração.
Os medicamentos administrados por via enteral são absorvidos pelo trato gastrointestinal (TGI), podendo ser oral, sublinguais ou retais. A via oral é a mais comum e econômica, mas medicamentos com baixa absorção no TGI podem ter sua concentração reduzida antes de atingir o local de ação.
A via parental administra os medicamentos diretamente na circulação sistêmica, indicada para substâncias com baixa solubilidade ou estabilidade do TGI. As formais mais comuns são:
- intravenosa (IV): administração direta na circulação sanguínea para efeito rápido.
- intramuscular (IM): administração no músculo, com maior absorção devido à alta circulação local.
- subcutânea (SC): administração no tecido subcutâneo, com absorção mais lenta devido à vascularização reduzida.
- intradermal (ID): administração entre a derme e epiderme, com absorção lenta.
São medicamentos aplicados na pele ou mucosas evitam o metabolismo de primeira passagem, no entanto, sua eficácia depende da condição local.
São medicamentos que oferecem rápida absorção pelo epitélio respiratório, oferecendo ação rápida e menor risco de efeitos sistêmicos, dependendo do tamanho das moléculas e da fisiologia respiratória.
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Dose
Todos os medicamentos possuem propriedades tóxicas, e a dose é crucial para determinar à toxicidade.
Dose é a quantidade de fármaco administrada, calculada a partir do peso corporal (mg/kg).
A relação dose-resposta descreve como o efeito terapêutico aumenta com a dose até atingir o ponto de saturação, onde o aumento da dose não aumenta o efeito, mas aumenta o risco de efeitos adversos. Por isso, é fundamental determinar a dose mínima eficaz e a dose tóxica. Essa relação varia conforme as características individuais, como no caso de pacientes com insuficiência renal, que podem ter resposta reduzida à furosemida (diurético), mesmo com a mesma dose, devido a variações no metabolismo e excreção do fármaco.
Tempo de meia-vida
O tempo de meia-vida (t1/2) é o tempo necessário para que a concentração plasmática de um fármaco seja reduzida à metade. Esse dado é útil para prever o tempo necessário para atingir o estado de equilíbrio farmacocinético, que ocorre quando a quantidade de fármaco administrada se iguala à quantidade eliminada do organismo, resultando em concentrações estáveis no plasma. Além disso, o t1/2 também é útil para ajustar a velocidade de administração e determinar o tempo necessário para que a concentração do fármaco seja reduzida após modificações no regime de dosagem. O t1/2 pode ser alterado por fatores dinâmicos que afetam a forma como o fármaco se liga e se solta dos seus alvos terapêuticos.
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Tempo de residência
O tempo de residência é o período que o medicamento permanece ativo no organismo. Fármacos com tempos de residência mais longos possuem efeitos farmacológicos prolongados. Medicamentos como finasterida e darunavir, por exemplo, tem tempo de residência prolongado, o que pode ser vantajoso em certos tratamentos, mas também aumenta o risco de efeitos tóxicos. Assim, é importante compreender como o tempo de residência afeta a eficácia e os riscos associados ao uso.