MÓDULO 2 | AULA 3 Toxicologia dos medicamentos e tabagismo
Automedicação, o uso indevido de medicamentos e intoxicação
Contextualização
A toxicologia de medicamentos estuda os efeitos tóxicos dos fármacos sobre os organismos, que variam conforme:
- dose
- via de administração
- tempo de exposição
- características do indivíduo
O termo droga refere-se a qualquer substância capaz de alterar processos fisiológicos ou patológicos, enquanto o fármaco é uma substância com estrutura química definida, desenvolvida para fins terapêuticos.
De acordo com a Lei nº 5.991, de 17/12/73 medicamento é definido como produto farmacêutico que contém o princípio ativo e é destinado a finalidades profilática, curativa, paliativa ou diagnóstica.
Embora o termo "droga" seja comumente usado como sinônimo de substância tóxica, não deve ser aplicado a medicamentos, que, quando utilizados corretamente, oferecem benefícios terapêuticos.
O uso inadequado de medicamentos - como a automedicação - pode causar reações adversas, intoxicações e complicações clínicas, configurando um grave problema de saúde pública. Estima-se que a intoxicação medicamentosa cause cerca de 190 mil mortes anuais, além de morbidades não fatais que ocorrem de 20 a 30 vezes mais frequentemente.
Assim, a toxicologia de medicamentos é fundamental para identificar efeitos adversos, orientar o uso seguro de fármacos e contribuir para o desenvolvimento de terapias mais eficazes e seguras antes e sua liberação no mercado.
A automedicação é o uso de medicamentos sem orientação adequada, muitas vezes com indicação de pessoas não especializadas, como amigos ou familiares. Isso pode resultar em autodiagnósticos errados, escolhas inadequadas e reações adversas. Fatores como idade, genética e condições preexistentes influenciam a resposta do organismo, podendo levar a intoxicações e até riscos à vida.
A intoxicação medicamentosa ocorre quando a dose do fármaco ultrapassa a janela terapêutica. A janela terapêutica é faixa de doses que produzem efeito terapêutico sem toxicidade e pode ser quantificada pelo índice terapêutico (IT), que indica a margem de segurança de um fármaco. Quanto menor o IT, maior o risco de intoxicação.
Exemplo
A heparina, anticoagulante com baixo IT, pode causar sangramento significativo mesmo com doses próximas à terapêutica. Por isso, pacientes em uso de heparina necessitam de monitoramento rigoroso do tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) a cada 8 a 12 horas, a fim de manter o fármaco dentro de concentrações eficazes e seguranças.
A intoxicação medicamentosa é caraterizada como um problema de saúde pública, agravado pela falta de regulamentação de publicidades, ausência de programas educativos e fácil acesso a medicamentos sem prescrição. No Brasil, idosos são mais afetados por polifarmácia, que aumenta as chances de interações e reações adversas. Em crianças, predominam os casos acidentais devido ao fácil acesso a medicamentos sem a devida segurança.
O Brasil é o 5º maior consumidor de medicamentos, com 35% das vendas sendo de automedicação.
Além de intoxicação, a automedicação, no caso dos antibióticos, contribui significativamente para o surgimento de bactérias multirresistentes, um problema de saúde pública crescente. O uso inadequado acelera a resistência microbiana, dificultando o tratamento de infecções e aumentando a morbilidade e mortalidade.
- Assista ao vídeo sobre a Resistência microbiana desencadeada pelo uso indiscriminado de antibióticos.