Unidade 1

Do Império à Primeira República: o surgimento da saúde pública​

Aula 1

As instituições da medicina oficial

Seguindo o modelo das sociedades europeias da época, a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro teve como principal atividade no seu primeiro período de existência, a realização de estudos sobre os problemas de higiene que afetavam a saúde pública no país.

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Sede da antiga Academia Imperial de Medicina, Campo de Santana, Rio de Janeiro, entre 1861 e 1874.In: CARNEIRO, Glauco. Um compromisso com a esperança:história da Sociedade Brasileira de Pediatria, 1910/2000.Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 2000.
Fonte: Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1930)

A Sociedade funcionou de forma autônoma até 1835, quando foi transformada em Academia Imperial de Medicina.

Com a reforma, seu perfil se aproximou ainda mais da Academia de Medicina de Paris, pois ela se tornou uma instituição oficial do Estado. Nesse momento, seu principal objetivo passou a ser a consultoria ao Estado nas questões de saúde pública.

Em sua nova fase, a Academia Imperial de Medicina se transformou em uma instância da medicina oficial e de defesa de interesses corporativos, pois garantia a seus membros privilégios empregatícios no aparelho estatal do Império.

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A institucionalização da medicina oficial brasileira se deu a partir da Sociedade e da Faculdade de Medicina, ambas criadas a partir da transferência da Corte portuguesa para o Brasil.

Em 1832, as escolas cirúrgicas, que tinham como principal objetivo cuidar da saúde das tropas, foram transformadas em faculdades.

Tanto a do Rio de Janeiro como a da Bahia formavam cirurgiões médicos e parteiras, profissões extremamente necessárias ao novo país em vias de construção.

Dessas instituições saíram os primeiros médicos formados em território nacional.

A maioria deles passou a atender a elite local ou ocupou cargos políticos na corte ou em diferentes províncias, voltando-se muitas vezes para as questões de higiene pública.

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As instituições da medicina oficial, em particular as faculdades do Rio de Janeiro e da Bahia inauguraram uma nova fase na história da medicina brasileira. No entanto, o conhecimento e as práticas médicas favoreciam apenas um número limitado de pessoas.

Por todo o período Imperial uma imensa parte da população brasileira que vivia nas vastas regiões rurais, ou mesmo os residentes em cidades com poucos recursos estiveram distantes dos caros serviços médicos, fazendo uso das mais diversas formas de medicina popular para mitigar o sofrimento com as doenças.

Para conhecer mais sobre as Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e da Bahia, acesse:

No ano 1886, surgiu mais uma instituição médica no Rio de Janeiro, a Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de janeiro.

Em suas sessões eram discutidos casos clínicos e as questões de higiene que afetavam o país, principalmente as referentes à febre amarela, que causava milhares de mortes a cada ano naquela época. 

No fim do século XIX essa instituição já havia obtido reconhecimento no meio médico, mostrando-se como uma instituição diferenciada de sua congênere oficial, a Academia de Medicina.

O Ensino Médico no Período Imperial
Fonte: VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz