MÓDULO 2 | AULA 5 Toxicologia Ocupacional
Toxicologia e ambientes de trabalho
Em nosso cotidiano temos contato contínuo com substâncias químicas - SQ (também chamadas de agentes, produtos, ou componentes químicos) potencialmente tóxicas para a saúde humana. Essas SQ têm origem na poluição ambiental, seja de águas para consumo contaminadas, poluição do ar, alimentos com resíduos de agrotóxicos, ou mesmo nos medicamentos consumidos de forma inadequada (sem orientação), em produtos domissanitários que usamos para limpeza doméstica, entre tantas outras diversas possibilidades de contato. Esse contato é o que chamamos tecnicamente de exposição. Quando pensamos em vigilância da saúde, essa exposição pode ter origem ambiental ou ocupacional.
A Toxicologia é a ciência que estuda os efeitos nocivos (ou tóxicos) decorrentes das interações de SQ com organismos vivos, em determinadas condições de exposição.
A Toxicologia é de fundamental importância em nossa sociedade, pois seus estudos visam propor maneiras seguras de convivermos com as SQ, permitindo que o ser humano se beneficie das conquistas derivadas dos avanços técnico-científicos de nossa sociedade.
O risco de intoxicação por SQ aumenta na proporção direta ao desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia, que coloca à disposição da população um número cada vez maior de produtos para consumo e no ambiente. Em nossas vidas, geralmente quando chegamos na fase adulta, o trabalho se torna uma das principais atividades de nosso cotidiano. Entretanto, os ambientes e processos de trabalho podem gerar um quadro de exposição a SQ, a chamada exposição ocupacional.
Para podermos compreender essa exposição, avaliar e evitar os surgimentos de problemas de saúde mais graves, temos a TOXICOLOGIA OCUPACIONAL como principal ferramenta de avaliação e monitoramento.
A Toxicologia Ocupacional previne o surgimento das doenças relacionadas ao trabalho (DRT), decorrentes da exposição dos indivíduos a SQ presentes no ambiente laboral.
Toxicologia Ocupacional
É a área da Toxicologia dedicada ao estudo dos efeitos tóxicos causados pela interação de SQ presentes no ambiente de trabalho (ou ambiente ocupacional) com os indivíduos a elas expostos. Tem a preocupação com:
- O uso adequado e seguro de SQ;
- Ambiente salubre;
- Saúde do trabalhador
Esta área é aplicada ao mundo do trabalho, pois define princípios e métodos para identificação, gestão e controle das SQ neste ambiente em específico.
Qual substância química presente em um ambiente de trabalho pode ser benéfica para nossa saúde?
Se você respondeu café, ok! É até aceitável para obter aquele estímulo advindo da cafeína, mas deve-se sempre tomar cuidado com a quantidade, pois toda SQ em excesso pode ser tóxica! Esse é um princípio básico da Toxicologia, postulado por Paracelsus, já desde o século XVI, considerado um dos pilares da Toxicologia Moderna.
O que realmente temos no cotidiano dos ambientes de trabalho são SQ com potencial tóxico elevado:
- Gases irritantes ou asfixiantes.
- Metais.
- Solventes (ou compostos orgânicos voláteis - COVs).
- Agrotóxicos (dezenas de tipos diferentes).
- Particulados e fibras (p. ex., sílica e amianto, respectivamente).
Esses são apenas alguns exemplos da pluralidade de agentes tóxicos que podem estar presentes no cotidiano de um trabalhador. Considerando que toda SQ presente nos ambientes de trabalho sempre pode gerar efeitos tóxicos, passaremos a chamar essas SQ de agentes tóxicos (AT).
Toda indústria ou processo produtivo usa algum tipo de produto químico, seja como matéria-prima, produto final obtido, intermediário de reação ou de limpeza e descontaminação. Isso faz com que diversos trabalhadores estejam expostos cotidianamente em seus locais de trabalho. Essa realidade é mais forte no setor industrial, mas não quer dizer que em outras atividades profissionais não exista exposição. Sempre pode haver algum AT no local de trabalho, e esse pode expor um trabalhador, gerando ao longo do tempo uma intoxicação.
Cabe destacar antes de fechar esse tópico, que existem tecnologias e ações para a proteção coletiva e individual dos trabalhadores, que buscam minimizar a exposição a alguns riscos ocupacionais (químicos e os outros - físicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes). Estes são os equipamentos de proteção coletiva (EPCs) e individual (EPIs).
Deve-se lembrar que eles são de fornecimento obrigatório pelo empregador, e que tem um papel importante na proteção dos trabalhadores à exposição ocupacional, focando aqui em riscos químicos. Porém, eles reduzem a exposição, mas não a impedem.
Conheça a seguir os equipamentos de proteção coletiva (EPCs) e individual (EPIs).
Sempre devemos ter disponíveis EPIs compatíveis com o risco ao qual se está exposto, tais como luvas, máscaras respiratórias específicas e jalecos/aventais, assim como EPCs, por exemplo, exaustores, capelas de exaustão química, chuveiros e lava-olhos de emergência, funcionando corretamente. A simples oferta de um EPI que não esteja apropriado ao risco existente, ou a existência de um EPC, que não funcione direito, não protege adequadamente os trabalhadores dos riscos ocupacionais.
Assista ao vídeo Toxicologia Aplicada no Ambiente Ocupacional no Canal Segurança Química & HO.