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Implementação do Programa Nacional de Saneamento Rural

Módulo 3 | Aula 2
Tecnologia em Saneamento Rural

Tópico 6

Construindo o caminho para a seleção de tecnologias para a promoção do manejo de resíduos sólidos em áreas rurais

No nosso dia a dia geramos resíduos de diferentes tipos, não é mesmo? No contexto do saneamento tratamos dos resíduos sólidos originados em atividades domésticas, bem como daqueles que são originados de varrição, capina e poda de árvores em vias e logradouros públicos. Antes de abordarmos as tecnologias para o manejo de resíduos sólidos em áreas rurais, vamos falar sobre um assunto muito importante tratado na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Você sabia que os municípios devem seguir uma ordem de prioridades para a gestão dos resíduos? O objetivo é evitar a geração de resíduos e reduzir os impactos ambientais. Para isso, foi estabelecido um guia, ou seja, um indicativo da ordem de prioridades para que os municípios gerenciem seus resíduos de forma mais sustentável. Veja a imagem a seguir para compreender melhor essa ordem de prioridades e como ela funciona.

Veja agora as diretrizes para manejar os resíduos sólidos.

Diretrizes para manejo de resíduos sólidos
1 Promover ações de não geração, redução e reutilização de resíduos sólidos em áreas rurais, em conformidade com a ordem de prioridade para gestão e gerenciamento de resíduos.
2 Promover acondicionamento, coleta domiciliar rural regular, transbordo e transporte dos resíduos sólidos, de acordo com a realidade local e regional.
3 Promover reciclagem e recuperação dos resíduos sólidos gerados em áreas rurais.
4 Promover o tratamento e a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.
Fonte: Brasil (2019). Funasa. Fundação Nacional de Saúde. Programa Nacional de Saneamento Rural – PNSR. Brasília: Funasa, 2019a. 260p.
Para Refletir

Reflita sobre os desafios e as soluções possíveis para o manejo de resíduos em áreas rurais...

Como o acesso e a distância das residências à sede municipal podem impactar a obtenção da coleta de resíduos sólidos no meio rural? Quais soluções você sugeriria para integrar a coleta de resíduos rurais com a sede municipal?

O manejo de resíduos sólidos no meio rural deve considerar o difícil acesso e a distância das residências à sede municipal, o que influencia a viabilidade da coleta de resíduos (seletiva e/ou convencional). A prioridade é integrar a coleta de resíduos rurais com a da sede municipal, mas, em casos de grandes distâncias, pode-se considerar o transporte para aterros sanitários locais.

A escolha das soluções para resíduos sólidos nas áreas rurais depende dos seguintes critérios de decisão:

Existência de mercado de resíduos recicláveis
Existência de mercado de resíduos recicláveis

Analisar a presença de mercado para recicláveis, permitindo viabilizar serviços de coleta e triagem, com a participação de moradores, gestores públicos e catadores.

Geração de resíduos orgânicos
Geração de resíduos orgânicos

A compostagem coletiva, para reduzir resíduos destinados ao aterro e gerar renda e adubo para atividades agrícolas ou de jardinagem, depende da quantidade de resíduos orgânicos produzidos.

Acessibilidade
Acessibilidade

Características das vias influenciam a escolha dos veículos, o tipo de coleta (ponto a ponto ou porta a porta) e a instalação de unidades de triagem e compostagem. É essencial considerar:

  • Distância entre coleta e disposição final para decidir sobre unidades de Transbordo;
  • Distância entre coleta e compostagem para evitar problemas com odores e chorume;
  • Distância entre unidades de triagem e a comercialização de recicláveis para viabilizar o transporte e evitar prejuízos, mesmo com subsídios.

As matrizes tecnológicas apresentadas a seguir baseiam a decisão em dois diferentes contextos: a matriz tecnológica de soluções coletivas para o manejo de resíduos sólidos e a matriz tecnológica de soluções coletivas para o manejo de resíduos sólidos com integração do sistema urbano. Essas duas matrizes consideram:

Para os setores censitários 5, 6 e 7 (como você estudou na Aula 1.1 "Ruralidades do Brasil"), propõem-se coleta e acúmulo de resíduos na própria localidade, com destinação integrada a áreas urbanas ou local.

Propõe-se a integração dessas áreas ao sistema urbano de coleta.

Agora, se o município possui condições para coleta e comercialização de recicláveis e compostagem coletiva, o manejo de resíduos se torna mais complexo, mas com alto potencial de benefícios sociais, econômicos e ambientais! Vamos conhecer esses benefícios?

pan_tool_alt Clique Toque nas imagens para visualizar as informações.

Inclusão social e desenvolvimento socioeconômico de famílias de baixa renda envolvidas em associações de catadores de materiais recicláveis, por meio da geração de trabalho e renda.

Redução da quantidade de resíduos encaminhados ao aterro sanitário, aumentando sua vida útil e reduzindo custos com transporte.

Mudança de comportamento da população, por meio de educação popular em saneamento.

Exercício da cidadania e construção de uma noção de proteção e preservação do ambiente, incluindo recursos como água e solo.

Fortalecimento do Poder Público Municipal e melhor acesso a recursos federais, conforme a legislação.

Vamos pensar juntos em um outro contexto. O que fazer em áreas com casas dispersas, onde as residências são distantes umas das outras?

Em áreas com casas distantes, uma boa solução é usar os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs)!

Em situações de total isolamento, pode-se pensar em um serviço individual de aterramento de resíduos, conforme descrito na Aula 1.1. “Ruralidades do Brasil”, mas ainda é necessário pesquisar e desenvolver uma tecnologia para isso.

Veja agora as matrizes tecnológicas de soluções coletivas para o manejo de resíduos sólidos.

Fluxograma da Matriz tecnológica de soluções coletivas para o manejo de resíduos sólidos. O fluxograma começa com "Resíduos dos setores censitários 5, 6, 7" Esses resíduos são então avaliados quanto à comercialização, indicado por "Há mercado de recicláveis?" se não houver mercado, os resíduos são acondicionados para coleta convencional (indiferenciada)", há acesso viavel para aterro de RSU? Se a resposta for não, o destino é o aterro sanitário local, se a resposta for sim, precisa saber se a distância é longa, caso não seja, o destino é o aterro sanitário ou transbordo de RSU da sede. Se a resposta para a longa distância for sim, segue para unidade de transbordo local (as Unidades de Transbordo, Triagem e Compostagem devem, preferencialmente, estar localizadas numa mesma gleba, constituindo-se em uma Central de Processamento de Resíduos Sólidos Rurais), transporte externo, que se divide em rejeitos ou reciclaveis, rejeitos vão para o aterro sanitário ou transbordo de RSU da sede, os reciclaveis vão para unidade de triagem da sede e comercialização. Se um mercado existe, é preciso ver se há uma geração de resíduos orgânicos excedendo 250 kg/dia, se a resposta for sim é feita a separação em recicláveis, orgânicos e rejeitos, coleta seletiva em três frações, e então é feita uma divisão, se são orgânicos vão para unidade de compostagem local e uso agrícola, se forem recicláveis e rejeitos precisa saber se há catadores locais, caso não tenha, precisa saber se a distância é longa ou hidroviária, se não for irá para o transporte externo, que se divide em rejeitos ou reciclaveis, rejeitos vão para o aterro sanitário ou transbordo de RSU da sede, os reciclaveis vão para unidade de triagem da sede e comercialização, se a distância for longa as Unidades de Transbordo, Triagem e Compostagem devem, preferencialmente, estar localizadas numa mesma gleba, constituindo-se em uma Central de Processamento de Resíduos Sólidos Rurais. E caso possua catadores locais os recicláveis vão para unidade de triagem local e os rejeitos para a unidade de transbordo local e comercialização local. Notas:
  • O aterro sanitário de RSU (Residuos Sólidos Urbanos) pode ser municipal ou regional.
  • Para o Aterro Sanitário Local, observar regulamentos e normas vigentes para aterros sanitarios de pequeno porte.
  • Mais informações sobre setores censitários ver Figura 3.1 na página 57.
Fluxograma da Matriz tecnológica de soluções coletivas para o manejo de resíduos sólidos com integração do sistema urbano. Começando pelos resíduos dos setores censitários 1b, 2,3, 4 e 8, há coleta seletiva de RSU? Se a resposta for não, precisa saber se os domicílios estão na rota da coleta, se estiverem, a coleta é convencional porta a porta, se a resposta for não a coleta é convencional ponto a ponto (PEVs), as duas opções seguem para o aterro sanitário ou transbordo de RSU da sede. Voltando para o primeiro ponto, se tiver coleta seletiva de RSU, precisa saber se os domicílios estão na rota da coleta, se estiverem seguem para coleta seletiva porta a porta, se não estiverem na rota, seguem para a coleta seletiva ponto a ponto (PEVs), as duas opções seguem e se dividem em recicláveis e rejeitos, os rejeitos vão para aterro sanitário ou transbordo de RSU da sede, e os recicláveis para a unidade de triagem ou unidade de triagem e compostagem (UTC) da sede, o que for reciclável irá para a comercialização, o que for rejeito irá para o aterro sanitário ou transbordo de RSU da sede. Nota: O aterro sanitário de RSU (Resíduos sólidos Urbanos) pode ser municipal ou regional. Maiores informações sobre setores censitários ver figura 31, na página 57.
Fluxograma da Matriz tecnológica de soluções individuais para o manejo de resíduos sólidos. Começando pelos domicílios com localização inviável para transporte de resíduos sólidos, seguindo para separação em recicláveis, orgânicos e rejeitos, os orgânicos vão para compostagem domiciliar, os rejeitos vão para o aterro manual domiciliar, os recicláveis podem ser reutilizados e precisa-se saber se há coleta seletiva ponto a ponto próximo, se a resposta for não, irá para aterro manual domiciliar, se a resposta for sim segue para acumulação temporária no domicílio e encaminhamento espontâneo do morador para o ponto de coleta seletiva, seguindo para unidade de triagem da sede ou aglomeração próxima, a partir dessa etapa divide-se em rejeitos que irão para o aterro sanitário local ou regional e recicláveis que são comercializados.