Módulo 6 | 4 Aulas Boas práticas e controle de qualidade em laboratórios de cultivo celular
MÓDULO 6 – AULA 2
Como evitar contaminações
As contaminações, ou presença não planejada de quaisquer organismos indesejados que prejudiquem a pureza e a resposta celular, são grandes problemas do cultivo celular as contaminações podem ser por vírus, microrganismos ou mesmo por outras linhagens celulares.
Contaminações por vírus ou microrganismos
Outra questão muito importante diz respeito às contaminações por vírus ou por microrganismos sejam bactérias, leveduras, fungos filamentosos, sendo que esse tipo de contaminação é possível identificar visualmente com observação da garrafa de cultura ou mesmo, que a presença desses contaminantes altera o pH, e é possível identificar sinais visuais de contaminação como a presença de turbidez do meio de cultura. Um grupo de contaminantes que pode estar presente é o micoplasma. O problema do micoplasma é que é imperceptível, é silenciosa, você não vê se não fizer metodologia específica de detecção. Vírus que também podem estar presentes, e de difícil identificação, esses agentes podem passar desapercebidos e influenciar a reprodutibilidade dos experimentos.
Contaminação cruzada ou linhagens mal identificadas
A contaminação cruzada ocorre quando uma linhagem celular é misturada com outra linhagem celular diversa, o que pode levar à resultados inclusivos, falta de reprodutibilidade.
Para saber mais: Para aprofundar seus conhecimentos sobre a contaminação cruzada, acesse o documento:

Possíveis contaminantes de cultivos celulares. Imagem esquemática dos possíveis contaminantes de cultivos celulares, ordenados por tamanho e tipo de visualização ao microscópio. Fonte: Criado em BioRender. Barisón, M.J., Melo de Aguiar, A. (2025) https://BioRender.com/o13n922 adaptado do modelo “Cell Culture Contaminants” de Gaia Lugano obtido de https://app.biorender.com/biorender-templates acesso em 23/01/2025. Sob licença CC-BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Descrição estendida da legenda: A figura apresenta uma visão comparativa dos possíveis contaminantes de cultivos celulares, categorizados de acordo com seu tamanho e o tipo de microscopia necessária para sua observação. Os contaminantes estão dispostos ao longo de uma escala de tamanho que varia de 0,05 µm a >500 µm, abrangendo desde vírus até contaminações fúngicas visíveis a olho nu. 1) Vírus (0,05 - 0,1 µm) São os menores contaminantes e exigem microscopia eletrônica para detecção. 2) Micoplasmas (0,1 - 0,45 µm) Bactérias de pequeno porte sem parede celular, invisíveis à microscopia óptica convencional. 3) Bactérias (1 - 10 µm) Podem ser detectadas em microscopia óptica, frequentemente associadas a turbidez no meio de cultura. 4) Leveduras (2 - 10 µm) Fungos unicelulares, também detectáveis em microscopia óptica, podendo alterar o pH do meio de cultura. 5) Células eucarióticas (10 - 100 µm) Representam contaminação cruzada por outras linhagens celulares, detectáveis facilmente ao microscópio. 6) Fungos filamentosos (>100 µm, visíveis a olho nu) Contaminações por fungos multicelulares, que podem ser identificadas sem o uso de microscópio. A parte inferior da figura ilustra a escala de tamanho e a faixa de detecção para cada contaminante, mostrando a transição entre microscopia eletrônica, óptica e observação a olho nu.
Mas como minimizar os riscos associados à contaminação de cultivos celulares?
Boas práticas de cultivo celular
Quando se fala em boas práticas de cultivo celular, que correspondem a um conjunto de práticas gerenciais e laboratoriais, são procedimentos que visam a rastreabilidade, qualidade e pureza do cultivo celular e seus insumos.
Por que buscar a rastreabilidade?
Para obter resultados e produtos mais confiáveis. Desta forma, boas práticas em cultivo celular vêm alcançando maior destaque.
Neste sentido, em 2018 a Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD) lançou um documento guia de boas práticas de ensaios in vitro denominado - Good In Vitro Method Practices (GIVIMP) e é um material de consulta muito importante para aqueles que buscam o uso de cultivos celulares com reprodutibilidade e rastreabilidade.
Para saber mais: Para aprofundar seus conhecimentos sobre a “Good in vitro practices” acesse o documento:

Boas práticas em cultivos celulares. As boas práticas em cultivo celular são divididas em práticas gerenciais e práticas laboratoriais, com as premissas de qualidade, rastreabilidade e reprodutibilidade para confiabilidade dos resultados e produtos de cultivos celulares. Adaptado de Kuligoviski (2020) Fonte: Criado em BioRender. Barisón, M.J., Melo de Aguiar, A. (2025) https://BioRender.com/e90d314. Sob licença CC-BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Descrição estendida da legenda: A figura apresenta um esquema sobre boas práticas de cultivo celular, dividindo-as em três blocos principais: 1) O que é? As boas práticas são classificadas em gerenciais (relacionadas à organização e gestão do laboratório) e laboratoriais (voltadas para os procedimentos técnicos de cultura celular). 2) O que faz? Essas práticas garantem a qualidade dos processos, promovem a rastreabilidade dos experimentos e asseguram a reprodutibilidade dos resultados. 3) Por que razão? O principal objetivo das boas práticas é proporcionar confiabilidade nos resultados experimentais e nos produtos derivados dos cultivos celulares. Cada seção é acompanhada por ícones ilustrativos que representam conceitos-chave, como um microscópio para práticas laboratoriais, uma lista de verificação para qualidade e um gráfico para rastreabilidade.
Nas boas práticas gerenciais busca-se adaptar práticas de garantia da qualidade e rastreabilidade visando uma reprodutibilidade de práticas a fim de se obter resultados e produtos confiáveis em experimentos ou processos realizados com o cultivo celular. Elementos importantes como os procedimentos operacionais padronizados para realização das rotinas e protocolos do laboratório além de registros e documentação adequada de todos os processos e equipe treinada, são procedimentos fundamentais para garantir a reprodutibilidade dos resultados. Para realizar os protocolos de forma adequada, o treinamento da equipe é fundamental. E conhecer o processo como um todo, através por exemplo do mapeamento de processos a fim de conhecer todo o fluxo desde o início, como é que aquele processo começou até a sua entrega final, erros são minimizados e assim se busca alcançar a reprodutibilidade nos seus experimentos.
Nas boas práticas laboratoriais existe uma série de práticas e de experimentos e procedimentos importantes para garantir a qualidade dos procedimentos e resultados. Padronização de protocolos e registros, criopreservação, mas também caracterização celular, avaliação das características como pureza, ausência de contaminantes, avaliação da viabilidade celular e verificação de contaminação microbiana e por micoplasma fazem parte do conjunto de procedimentos que visam à reprodutibilidade dos resultados.

Boas práticas em cultivos celulares, procedimentos gerenciais e laboratoriais. As boas práticas em cultivo celular são divididas em práticas gerenciais e práticas laboratoriais, procedimentos de garantia da qualidade, rastreabilidade e reprodutibilidade buscam a confiabilidade dos resultados e produtos de cultivos celulares, cada qual com um conjunto de aspectos. Adaptado de Kuligoviski (2020) Fonte: Criado em BioRender. Barisón, M.J., Melo de Aguiar, A. (2025) https://BioRender.com/f87l299. Sob licença CC-BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Descrição estendida da legenda: A figura apresenta um esquema comparativo das boas práticas em cultivo celular. Dois blocos são organizados visualmente lado a lado, com ícones ilustrativos que representam cada categoria, promovendo uma visão clara da importância dos processos gerenciais e laboratoriais na manutenção de cultivos celulares confiáveis: 1) Aspecto Gerencial: POPs (Procedimentos Operacionais Padrão): Definem diretrizes para a padronização dos processos. Registros de qualidade: Garantem a rastreabilidade dos experimentos e cultivos. Treinamentos: Capacitação contínua para execução correta dos protocolos laboratoriais. Mapeamento de processos: Identificação e otimização dos fluxos de trabalho no laboratório. 2) Aspecto Laboratorial: Caracterização celular: Definição do perfil morfológico e molecular das células. Verificação da pureza celular: Identificação de possíveis misturas ou contaminações. Verificação da viabilidade celular: Avaliação da integridade e funcionalidade das células em cultivo. Verificação de contaminação microbiana: Monitoramento de infecções bacterianas ou fúngicas. Verificação de contaminação por micoplasma: Testes específicos para detectar micoplasmas, contaminantes comuns em culturas celulares.
Para saber sobre esse tema, assista a nossa videoaula e acesse o texto da transcrição:



