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Módulo 4Estrutura básica de um laboratório de cultivo celular

MÓDULO 4 – AULA 2 -
EQUIPAMENTOS APLICADOS AOS LABORATÓRIOS DE CULTIVO CELULAR

Equipamentos Básicos

Um laboratório de cultura celular exige a presença de diversos equipamentos para seu bom funcionamento. A descrição de cada equipamento utilizado está disponível nas próximas seções. Aproveite!

Cabine de Segurança Biológica
Por que as cabines de segurança biológicas são tão importantes para cultivo celular?

A cabine de segurança biológica é o equipamento essencial no cultivo celular. Os tipos mais indicados para cultivo celular devem proteger tanto o material quanto o ambiente e o operador. A cabine de segurança biológica protege o material manipulado por proporcionar um ambiente adequado para a manipulação da cultura, próprio para manipulações em ambiente estéril. Protege também o operador e o ambiente externo dos aerossóis gerados durante o processo. As cabines de segurança biológica podem ser de diferentes tipos (vertical ou horizontal) e de diferentes classes (I, IIA1, IIA2, IIB1, IIB2, III) e as características variam de acordo com a aplicação. A escolha da cabine de segurança biológica deve levar em conta as características tipo de procedimento que será realizado, do tipo de material utilizado, como por exemplo, classe de risco biológico ou características dos produtos químicos utilizados.

Como as cabines de segurança biológicas como são feitas e como funcionam?

De maneira geral, esses equipamentos são construídos pela combinação de processos físicos, eletromecânicos e eletrônicos que fazem com que o ar do interior da cabine passe por filtros especiais denominados filtros HEPA. Esses filtros são responsáveis pela retenção de partículas na ordem de micrometros (µm) e são essenciais para a manutenção do ambiente estéril na área de manipulação da cabine quanto também evitar que partículas saiam da cabine, conferindo assim a proteção ao material e ao operador e o ambiente externo.

Cabine de segurança biológica classe A2, usada para manipulação segura de materiais biológicos em laboratório.

 

Exemplo de cabine de segurança biológica da classe A2. As cabines dessa classe permitem proteção ambiental e pessoal contra partículas e agentes que requerem contenção de nível de segurança NB1 e NB2. Fonte:  Aguiar, A.M. (2025). Descrição estendida da legenda: Imagem fotográfica de uma cabine de segurança biológica classe A2. O equipamento possui painel de controle com botões, etiquetas de segurança e um símbolo de risco biológico. A cabine oferece proteção ambiental e pessoal contra partículas e agentes biológicos dos níveis de biossegurança NB1 e NB2. No interior da cabine, No interior da cabine, há micropipetas encaixadas em suportes e pipetador automático apoiado em um suporte.

Infográfico sobre cabine de segurança biológica, suas características, aplicações e cuidados no cultivo celular.

Cabine de segurança Biológica. Características, aplicações e cuidados. Adaptado de Freshney, 2010 Fonte: Criado em Biorender. Melo de Aguiar, A. & Souza, A, C, G. (2025) https://BioRender.com/j88p896 Sob licença CC-BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Descrição estendida da legenda: Infográfico explicando as características, aplicações e cuidados ao utilizar uma cabine de segurança biológica, essencial em laboratórios de cultura celular. A imagem é dividida em seções: No topo, o título destaca "Cabine de Segurança Biológica – Equipamento de Proteção Coletiva". Na lateral esquerda, há ilustrações que mostram frascos de cultura celular e células observadas no microscópio, indicando a esterilidade do ambiente dentro da cabine. No centro, um desenho de um pesquisador utilizando a cabine de segurança biológica. Ele veste um jaleco, luvas e máscara, simbolizando a necessidade de proteção durante a manipulação de materiais biológicos. À direita, a seção "Características Estruturais" destaca que a cabine possui filtros HEPA para retenção de partículas e manutenção da esterilidade. Explica-se que o fluxo de ar pode ser vertical ou horizontal e que existem diferentes classes de cabines (I, IIA1, IIA2, IIB1, IIB2, III). Abaixo, na seção "Aplicações", são listados seus principais usos: ambiente seguro para cultura celular, proteção contra aerossóis e adaptação a diferentes níveis de segurança. Por fim, a seção "Cuidados" alerta para a necessidade de evitar borrifar álcool diretamente no filtro HEPA, realizar certificações periódicas e ter atenção ao uso de modelos com luz ultravioleta para evitar exposição inadequada.

Como se deve trabalhar em uma cabine de segurança biológica?

A cabine de segurança biológica é um equipamento de proteção coletiva, mas é importante seu uso correto, que é baseado em treinamento prático para sua utilização.

Saiba mais em conteúdos do curso: No módulo de técnicas básicas é possível acessar conteúdo relativo à utilização da cabine de segurança biológica.

Uma das etapas importantes para uso da cabine de segurança biológica é a limpeza:

1) Limpar as paredes internas e a superfície de trabalho do equipamento com pano macio embebido em álcool 70%, limpar as superfícies começando pelo fundo, laterais e mesa de trabalho
2) Limpar as paredes de cima para baixo e a mesa de trabalho de trás para frente, seguindo o fluxo de exaustão.


Cuidados:
- Ao efetuar a limpeza da cabine de segurança biológica, deve-se ter cuidado para não atingir o filtro, a lâmpada fluorescente e as lâmpadas UV durante a limpeza.
- Nunca borrife o álcool 70% na cabine de segurança pois o aerossol pode danificar o filtro absoluto.

ATENÇÃO:
- Por ser um equipamento de segurança coletiva e fundamental para proteção do operador, a cabine de segurança biológica deve estar incluída em um programa de manutenção preventiva incluindo a certificação das cabines, onde são realizados procedimentos para verificação do funcionamento da cabine de segurança biológica, integridade do filtro HEPA, contagem de partículas, etc. A periodicidade da manutenção preventiva depende do uso e das especificações do fabricante, mas recomenda-se certificação anual.
- Antes de iniciar o uso da cabine, ela deve ser ligada para propiciar a filtração do ar através do filtro HEPA e criar o ambiente livre de partículas no interior da cabine de segurança biológica. O tempo recomendado varia de um equipamento para outro, mas deve ser seguindo de acordo com as orientações do manual do equipamento.

- Alguns modelos de cabine de segurança biológica possuem lâmpadas UV (ultravioleta) indicadas para auxiliar na descontaminação. O uso de lâmpadas UV é desencorajado pela baixa eficiência na descontaminação e risco alto de causar danos ao operador. A lâmpada UV nunca deve ser ligada durante a manipulação da cabine pelo operador.

 

Incubadora de CO2

Para que servem as incubadoras?

É necessário fornecer para as células em cultivo condições controladas e adequadas. As incubadoras oferecem as condições ideais de crescimento para a manutenção de cultivos celulares no ambiente laboratorial. Alguns fatores como temperatura, umidade e níveis de CO₂ podem ser controlados, para o cultivo de células animais, a temperatura varia de 28º C a 37º C e o nível de CO2 varia de 5% a 10% dependendo do tipo de célula.

Que cuidados devem ser tomados com as incubadoras?

Além disso, cabe mencionar que os níveis de CO2 e a temperatura da incubadora devem ser verificados periodicamente de forma a garantir que as condições de temperatura e tensão de CO2 se mantenham constantes. Tendo em vista que as garrafas contendo as células ficam armazenadas dentro da incubadora, é importante que a água presente no equipamento seja trocada semanalmente a fim de se evitar o crescimento de microrganismos como fungos e bactérias e reduzir o risco de contaminação.

 

Incubadora de CO₂ para cultivo celular, com controle digital de temperatura e filtro HEPA.

 

Incubadora de laboratório para cultura de células. Fonte: Fonte: Ribeiro, A.L. & Bassai, L.W. (2021). Descrição estendida da legenda: A imagem fotográfica mostra uma incubadora de CO₂, usada para o crescimento e manutenção de culturas celulares em condições controladas. Descrição geral do equipamento: A incubadora é um equipamento de laboratório de médio porte que dependendo do modelo pode ser empilhada sobre outra incubadora compatível ou disposta sobre uma bancada de laboratório, cor cinza clara, com um visor digital no topo exibindo a temperatura e os níveis de CO₂, garantindo um ambiente ideal para as células. Sinalização de biossegurança: Na parte frontal, há um adesivo amarelo com o símbolo de risco biológico e a informação "HEPA Filtration", indicando que o equipamento conta com filtros HEPA para controle do ambiente interno.

Saiba mais em conteúdos do curso: No módulo de técnicas básicas é possível acessar conteúdo relativo à utilização da incubadora.

Infográfico sobre estufa de CO2, suas características, aplicações e cuidados no cultivo celular.

Incubadora de CO2 para cultivo celular. Características, aplicações e cuidados. Adaptado de Freshney, 2010 Fonte: Criado em BioRender. Melo de Aguiar, A. & Souza, A, C, G. (2025)https://BioRender.com/i14q292. Sob licença CC-BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Descrição estendida da legenda: A imagem apresenta um infográfico sobre incubadoras de CO₂, descrevendo suas características, aplicações e cuidados necessários para manutenção. Descrição visual: O infográfico contém uma ilustração de uma incubadora de CO₂ com a porta aberta, demonstrando o ambiente interno onde as células são cultivadas. Há também representações gráficas de células dentro de frascos e placas de cultivo, destacando o processo de crescimento celular. Características: A incubadora mantém temperatura controlada entre 28°C e 37°C e níveis de CO₂ entre 5% e 10%, garantindo um ambiente ideal para culturas celulares. Aplicações: É utilizada para o crescimento e manutenção de células em laboratório, criando condições semelhantes às do organismo. Cuidados: É necessário monitorar frequentemente a temperatura e os níveis de CO₂, além de trocar a água da bandeja interna para evitar proliferação de fungos e bactérias.
 
Centrífuga

O que é uma centrifuga aplicada ao cultivo celular?

A centrífuga é utilizada quando as suspensões de células requerem centrifugação para aumentar a concentração de células, essencial na etapa da criopreservação, descongelamento celular ou remover um reagente por lavagem.

Saiba mais em conteúdos do curso: No módulo de técnicas básicas é possível ver exemplos de utilização da centrífuga para o processo de criopreservação.

Quais cuidados devemos ter com as centrífugas?

As centrífugas devem ser mantidas sempre limpas e com um sistema de trava para evitar que os aerossóis formados se espalhem pelo ambiente do laboratório. Ademais, os tubos utilizados devem ser sempre balanceados (mesma massa em posição oposta) para evitar danos ao rotor. A rotação utilizada depende do tipo celular, é importante verificar a rotação no datasheet ou bula da linhagem celular fornecida pelo banco de células onde a linhagem celular foi obtida.  As centrifugas utilizadas em laboratórios de cultivo celular normalmente são centrífugas refrigeradas, para que no seu processo de uso as células não sejam afetadas por alterações de temperatura.

Centrífuga de laboratório com tampa aberta, utilizada para cultivo celular.

 

Centrífuga para rotina laboratorial. A velocidade, temperatura e tempo de centrifugação são variáveis e dependem inteiramente do protocolo a ser executado. Fonte: Souza, A.C.G. (2025). Descrição estendida da legenda: A imagem fotográfica exibe uma centrífuga de bancada com a tampa aberta, revelando o rotor interno onde os tubos de amostra são posicionados para centrifugação. A parte frontal do equipamento possui um painel digital com botões de controle para ajuste de velocidade, temperatura e tempo de centrifugação. Descrição visual: A centrífuga é predominantemente branca, com um painel de controle azul contendo botões de ajuste. O rotor preto dentro da câmara de centrifugação acomoda tubos de ensaio para separação de amostras.

Infográfico sobre centrífuga refrigerada, suas características, aplicações e cuidados no cultivo celular.

Centrífuga. Características, Aplicações e cuidados. Adaptado de Freshney, 2010. Fonte: Criado em BioRender. Melo de Aguiar, A. & Souza, A, C, G. (2025). BioRender. https://BioRender.com/p74m800. Sob licença CC-BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Descrição Estendida da Legenda: A imagem apresenta um infográfico detalhado sobre centrífugas laboratoriais. O equipamento é descrito como essencial para a separação de células do meio de cultura, lavagem, purificação e concentração celular, além da preparação de amostras para análises bioquímicas e moleculares. Descrição visual: O infográfico contém ilustrações de uma centrífuga de bancada com a tampa aberta, destacando tubos de ensaio organizados dentro do rotor. Há também imagens ampliadas de um tubo cônico de centrifugação e um rotor com tubos distribuídos em posições balanceadas. Funcionalidade: A centrífuga gera movimentos de rotação ajustáveis em velocidade, temperatura e tempo, sendo especialmente útil para cultivo celular quando refrigerada. Cuidados essenciais: O infográfico enfatiza a necessidade de balanceamento correto das amostras, ajuste adequado da força centrífuga (g) e manutenção da limpeza para evitar contaminações e garantir segurança no uso.

Banho-maria

O que é o banho-maria?
O banho-maria é um equipamento que possui uma resistência elétrica que aquece a água e a mantém em certa temperatura.

Por que se deve usar o banho-maria no laboratório de cultivo celular?

Na manutenção celular, o aquecimento das soluções evita o choque térmico, uma vez que estas soluções são armazenadas de 2 à 8º C em geladeira e as células de mamíferos são cultivadas na temperatura de 36ºC à 37,5º C. Assim, com o uso do equipamento é possível realizar o aquecimento de meios e soluções que serão utilizadas nas células, realizar o descongelamento rápido, inativar o soro bovino fetal, entre outros procedimentos de rotina do laboratório.
CUIDADOS: Para evitar contaminação por fungos e bactérias, o equipamento deve ser limpo semanalmente.

Banho-maria com termostato usado em laboratório para manter amostras aquecidas a temperaturas controladas.


Exemplo de banho-maria para cultura de células.
O banho-maria é utilizado especialmente durante os procedimentos de descongelamento celular e aclimatação de meios de cultura. Assim como a incubadora, a troca de água do equipamento deve ser feita de maneira periódica para evitar contaminações. Fonte: Souza, A.C.G. (2025). Descrição estendida da legenda: A imagem mostra um equipamento de banho-maria, com um design retangular branco e um painel azul à direita contendo instruções de uso, botões de controle de circulação e temperatura, além de um visor digital. A tampa metálica com alça preta cobre o compartimento interno onde a água é aquecida para manter a temperatura estável.

 

Banho-maria: Características, aplicações e cuidados. Adaptado de Freshney, 2010 Fonte: Criado em BioRender. https://BioRender.com/p65f385 Melo de Aguiar, A. & Souza, A, C, G. (2025) Sob licença CC-BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Descrição estendida da legenda: A imagem apresenta um infográfico ilustrativo sobre o banho-maria, um equipamento laboratorial essencial para o cultivo celular. Ele é retratado com um design retangular, um painel digital para controle de temperatura e uma tampa de acrílico transparente. Características: O banho-maria possui resistência elétrica para manter a temperatura da água entre 36°C e 37,5°C, ideal para processos laboratoriais. Aplicações: Utilizado para aquecimento de meios e soluções, inativação de soro fetal bovino e descongelamento rápido de células. Cuidados essenciais: A manutenção inclui a limpeza periódica para evitar contaminações e a troca regular da água para evitar a proliferação de fungos e bactérias.

Saiba mais em conteúdos do curso: No módulo de técnicas básicas é possível ver exemplos de utilização do banho-maria.

 

Microscópio Invertido

O microscópio é um dos equipamentos mais utilizados em cultivo celular pois é através dele que se observam os cultivos celulares e também é realizada a contagem.

Qualquer microscópio serve para cultivo celular?

Como as células de cultivo estão vivas, mantidas em frascos de cultivo e geralmente são transparentes, os microscópios mais indicados para cultivo celular são os microscópios invertidos, que possibilitam a observação de garrafas ou placas de cultivo e além disso recomenda-se que esse microscópio apresente o sistema de contraste de fase, para facilitar a visualização das células. Os microscópios ópticos funcionam através da refração da luz, que passa através de um conjunto de lentes e outros opcionais com filtros a fim de ampliar as imagens ou tornar mais nítidas, por ampliação das estruturas microscópicas como as células em cultura (BARONEZA, 2019). O microscópio invertido possibilita inserir diretamente a garrafa de cultura entre a lente objetiva e o condensador, não sendo necessário o preparo de lâminas (FRESHNEY, 2005).

Na microscopia com contraste de fase é utilizado um sistema de lentes que transforma diferenças de fase em diferenças de intensidade. A luz ao atravessar diferentes quantidades de matéria gera diferentes índices de refração. Esse índice de refração pode ser relacionado com as porções mais ou menos densas da amostra. Com estas características é possível. Ao final da utilização do microscópio baixar a luz e desligar o equipamento.

 

Microscópio invertido usado para observar células vivas em cultivo, com sistema de contraste de fase.

Microscópio invertido para visualização de células em cultura. Fonte: Kuligoviski, K. (2025). Descrição estendida da legenda: A imagem fotográfica mostra um microscópio invertido, um equipamento óptico essencial para visualizar culturas celulares diretamente em frascos e placas de cultivo, sem necessidade de preparação de lâminas. Estrutura: O microscópio possui objetivas localizadas abaixo da amostra, permitindo a observação de células vivas em garrafas ou placas de cultura. Conta com um sistema de contraste de fase, que facilita a visualização de células transparentes e sem coloração. Componentes visíveis: Na parte superior, estão os oculares para observação direta e um sistema de iluminação. A plataforma de amostras está posicionada para suportar placas e frascos de cultivo.

Infográfico sobre microscópio invertido, suas características, aplicações e cuidados no cultivo celular.

Microscópio invertido. Características, aplicações e cuidados. Adaptado de Freshney, 2010 Fonte: Criado em BioRender. Melo de Aguiar, A. & Souza, A, C, G. (2025) https://BioRender.com/v69w955 Sob licença CC-BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Descrição estendida da legenda: O infográfico apresenta um microscópio invertido, utilizado para a observação de células em cultura diretamente em frascos e placas, sem necessidade de preparação de lâminas. Estrutura e funcionamento: O microscópio tem suas objetivas posicionadas abaixo da amostra, permitindo a visualização de células vivas sem remoção do meio de cultura. O sistema de contraste de fase facilita a observação de células transparentes. Também pode contar com sistemas ópticos que utilizam filtros coloridos para maior detalhamento. Aplicações: É usado para monitorar culturas celulares, detectar contaminações, avaliar a morfologia celular e contar células em experimentos científicos. Cuidados: Após o uso, recomenda-se diminuir a luz e desligar o equipamento, realizar a troca de lentes com cuidado e higienizar a área de apoio dos olhos para evitar contaminação. 

Saiba mais em conteúdos do curso: No módulo de técnicas básicas é possível ver exemplos de utilização do microscópio invertido.

Câmara de Neubauer

Já que estamos falando de microscópio e contagem celular, um material muito utilizado em laboratórios de cultivo celular é a Camara de Neubauer.

O que é a Câmara de Neubauer?

É um tipo de lâmina especial, que pode ser visualizada ao microscópio que é utilizada para determinar a quantidade de células presente em uma amostra. Assim, um dos métodos mais utilizados é a contagem direta das células em suspensão, através da câmara de Neubauer.

A câmara de Neubauer, é composta por uma lâmina de vidro com 9 quadrados com medida fixa (1 mm²) de área. Para a contagem, é necessário colocar uma lamínula de vidro sobre a câmara o que forma um espaço de 0,1 mm³. O número de células por ml de suspensão é dado pela média
das células contadas nos quatro quadrantes, multiplicado pelo fator da câmara (104) e pelo fator de diluição.

 

Infografico sobre Câmara de Neubauer usada para contagem de células em suspensão, Características, aplicações e cuidados

Camara de Neubauer. Características, aplicações e cuidados. Imagem representativa dos quadrantes de uma Câmara de Neubauer utilizada para quantificação de células em suspensão. Adaptado de Freshney, 2010 Fonte: Criado em BioRender.Melo de Aguiar, A. & Souza, A, C, G. (2025) https://BioRender.com/c68y812 Sob licença CC-BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Descrição estendida da legenda: A imagem apresenta uma Câmara de Neubauer, um equipamento de vidro utilizado para quantificação de células em suspensão. A câmara possui um sistema de grade com 9 quadrantes principais, cada um com 1 mm² de área, permitindo a contagem precisa de células. Estrutura e funcionamento: A câmara possui duas áreas de contagem, separadas por um sulco horizontal e limitadas lateralmente por canais verticais. Cada câmara contém quatro zonas de contagem para melhor distribuição da amostra. Aplicações: Utilizada para definir a concentração celular em suspensão, geralmente em conjunto com corantes vitais como o Azul de Tripan, permitindo a análise da viabilidade celular. Cuidados: Para preservar a integridade da câmara, recomenda-se secar com papel macio e não abrasivo e realizar a limpeza e desinfecção adequadas após cada uso, garantindo a precisão das contagens.

Saiba mais em conteúdos do curso: No módulo de técnicas básicas é possível ver exemplos de utilização da câmara de neubauer na aula de contagem celular.

Equipamentos para transferência de volumes

Em vários procedimentos que utilizam cultivos celulares se faz necessária a transferência de volumes, seja para o preparo de soluções, realização de experimentos ou protocolos de rotina de cultivo celular.

Saiba mais em conteúdos do curso: No módulo de técnicas básicas é possível ver o uso desses equipamentos como pipetador automático e micropipetas.

Pipetador Automático

Para que serve o pipetador automático aplicado ao cultivo celular?

O pipetador automático é muito utilizado nas rotinas de cultura celular.

Como o pipetador automático é utilizado?
O equipamento pode ser utilizado com pipetas de vidro esterilizadas ou pipetas sorológicas de plástico descartáveis, de volumes variáveis. Permite a aspiração de volumes normalmente na faixa de 1 a 25 mL, apesar de não garantirem sua precisão. São muito versáteis e a velocidade da pipetagem pode ser controlada pelo operador.

Quais os cuidados que se deve tomar ao utilizar o pipetador automático?

Geralmente apresentam um filtro entre o motor e o local de inserir a pipeta. Por ser um equipamento muito utilizado, devem ser tomados cuidados especiais em seu manuseio. Deve-se pipetar com cuidado e evitar que o líquido alcance o filtro. Caso isso ocorra, o procedimento deve ser interrompido imediatamente e realizada a limpeza e ou se necessário a troca de filtro do pipetador.

Pipetador automático usado para aspiração e dispensação de líquidos em cultura celular e preparo de soluções.


Pipetador automático empregado no cultivo celular.
Os pipetadores são empregados em procedimentos que exigem a manipulação de volumes de compostos líquidos. Fonte: Souza, A.C.G. (2025). Descrição estendida da legenda: Imagem fotográfica de um pipetador automático, um equipamento de laboratório utilizado para a manipulação de volumes de líquidos em procedimentos como o cultivo celular. O dispositivo possui um design ergonômico, com corpo branco e detalhes em azul, incluindo a área de encaixe para pipetas. O pipetador conta com botões de controle para aspiração e dispensação de líquidos, proporcionando precisão e facilidade no manuseio de soluções.

Infográfico sobre pipetador automático suas características, aplicações e cuidados.

Pipetador automático. Características, aplicações e cuidados. Adaptado de Freshney, 2010. Fonte: Criado em BioRender. Melo de Aguiar, A. & Souza, A, C, G. (2025) https://BioRender.com/p47y412 Sob licença CC-BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Descrição estendida da legenda: A imagem apresenta um pipetador automático, um equipamento utilizado em laboratórios de cultura celular para manipulação de líquidos. A ilustração inclui um pipetador automático conectado a uma pipeta contendo líquido rosado, direcionando-o para um frasco de cultura. Características: O pipetador é projetado para uso com pipetas graduadas de 1 a 25 mL e conta com controle de velocidade para aspiração e dispensação de líquidos. Aplicações: É essencial para troca de meios de cultura, preparo de soluções e reagentes, além de transferência eficiente de líquidos entre recipientes. Cuidados: Para evitar contaminação e falhas, é necessário manter o filtro seco, evitando que o líquido o atinja. Caso isso ocorra, deve-se interromper o uso e realizar a limpeza imediatamente.

Saiba mais em conteúdos do curso: No módulo de técnicas básicas é possível ver exemplos de utilização do pipetador automático em diferentes videoaulas.

Micropipetas Automáticas monocanal e multicanal

O que são micropipetas aplicadas ao cultivo celular?

As pipetas automáticas são muito utilizadas em procedimentos em que o volume deva ser conhecido, como é necessário para determinados experimentos e preparo de soluções, sendo um equipamento composto de uma parte fixa que se adapta a uma ponteira removível, sendo utilizada ponteira estéril para cultivo celular. A parte fixa apresenta um sistema onde um pistão é capaz de se mover dentro de um cilindro, criando um vácuo pelo movimento dos componentes da micropipeta, desta forma é possível aspirar o líquido em contato com a ponteira e o movimento inverso é usado para dispensar o volume.

Quais os tipos e as características principais das micropipetas?

As micropipetas podem ser do tipo monocanal, para transferência de um volume por vez, ou multicanal, com 8 ou 12 canais para transferência de amostras simultaneamente. Esse equipamento é versátil, apresenta uma faixa de volume ajustável, sendo determinada pelo volume máximo que pode dispensar. Geralmente a faixa nominal das pipetas comerciais variam em faixas determinadas, que podem varia de acordo com o fabricante, mas mais utilizadas em cultivo celular são:

Tipo de Micropipeta

Faixa de Volume (µL)

Monocanal

0,1–2

2–20

20–200

200–1000

1000–5000

Multicanal

2–20

20–200

50–300

 

Cuidados:

  • Treinamento do operador no uso adequado do equipamento e sua manutenção e limpeza;
  • Calibração regular para manter precisão;
  • Uso de ponteiras estéreis e descartáveis;
  • Manuseio dentro do limite de volume de cada micropipeta.

Três micropipetas monocanal em suporte, usadas para transferência precisa de líquidos em laboratório.

Micropipeta monocanal. Utilizado para transferência de volumes. Fonte: Souza, A.C.G. (2025). Descrição estendida da legenda: Imagem fotográfica de três micropipetas monocanal dispostas em um suporte vertical sobre uma bancada de laboratório. Cada micropipeta possui diferentes faixas de volume: 100-1000 µL (topo e anel azul), 20-200 µL (topo e anel amarelo) e outra para 2-20 µL (topo e anel amarelo). Esses equipamentos são usados para transferência precisa de líquidos em laboratórios. A base de suporte mantém as micropipetas organizadas e protegidas.

Micropipeta multicanal. Utilizado para transferência de volumes em multiplos poços. Fonte: Souza, A.C.G. (2025). Descrição estendida da legenda: Imagem fotográfica de uma micropipeta multicanal de 8 canais posicionada sobre uma bancada de laboratório. O equipamento possui um corpo ergonômico com um botão amarelo para ajuste de volume e um visor digital indicando 200 µL. A extremidade contém 8 canais para pipetagem simultânea, permitindo transferência eficiente de líquidos em placas de múltiplos poços, como em experimentos de ELISA ou cultura celular.

Micropipeta multicanal de 8 canais usada para pipetagem simultânea em microplacas de experimentos.

Micropipeta multicanal. Utilizado para transferência de volumes em multiplos poços. Fonte: Souza, A.C.G. (2025). Descrição estendida da legenda: Imagem fotográfica de uma micropipeta multicanal de 8 canais posicionada sobre uma bancada de laboratório. O equipamento possui um corpo ergonômico com um botão amarelo para ajuste de volume e um visor digital indicando 200 µL. A extremidade contém 8 canais para pipetagem simultânea, permitindo transferência eficiente de líquidos em placas de múltiplos poços, como em experimentos de ELISA ou cultura celular.

Equipamentos para Criopreservação

Como veremos a seguir no módulo de congelamento celular e banco de células, é possível preservar os cultivos celular com o uso de técnicas próprias de congelamento celular ou criopreservação. Os equipamentos mais utilizados nesse procedimento são o container de congelamento celular, o freezer –80 °C e o container de nitrogênio líquido.

Saiba mais em conteúdos do curso: No módulo de técnicas básicas é possível ver o uso desses equipamentos nas aulas de congelamento e descongelamento celular e a teoria sobre congelamento celular será abordada no módulo de congelamento celular e banco de células.

Container de congelamento celular

Como o congelamento celular pode ser feito?

Uma vez que as células dependem de um congelamento lento na presença de um crioprotetor, o container de congelamento é muito utilizado no congelamento celular. O container de congelamento do tipo Mr. FrostyTM  funciona como uma câmara de plástico e é utilizado para realizar o congelamento de amostras biológicas, pois resfria a uma taxa controlada permitindo um congelamento lento. Muitos modelos presentes no mercado utilizam álcool isopropílico para atingir a taxa de congelamento de (-1)ºC por minuto, outros modelos são feitos de material especial que dispensam o uso do álcool isopropílico.

 

Dois containers para congelamento celular do tipo Mr. Frosty™, com e sem o uso de alcool isopropílico respectivamente.

Container de congelamento celular do tipo Mr. FrostyTM. Os criotubos podem ser congelados em sistemas que utilizam álcool isopropílico (A) ou em material que não requer adição de álcool isopropílico (C) para que o congelamento celular seja feito de maneira gradual. Cada container tem capacidade para armazenar até dezoito (B) ou doze (D) criotubos por vez. Fonte: Modificado de Ribeiro, A.L. e Bassai, L.W. (2021), Kuligoviski, K., Aguiar, A.M. (2025) . Descrição estendida da legenda: Imagens fotográficas apresentam dois modelos de containers para congelamento celular do tipo Mr. Frosty™, utilizados para garantir um congelamento gradual de células. Imagens A e B: Mostram um container de plástico translúcido com tampa azul, que utiliza álcool isopropílico para controlar a taxa de resfriamento. A imagem B exibe a parte interna do container, com compartimentos circulares para armazenar até 18 criotubos. Imagens C e D: Apresentam um modelo de container verde feito de material isotérmico, que não requer álcool isopropílico para o congelamento. A imagem D mostra a parte interna do container, com cavidades numeradas para armazenar 12 criotubos de forma organizada. Esses dispositivos são essenciais para preservar a viabilidade celular durante o congelamento em freezers de -80°C antes do armazenamento em nitrogênio líquido.

Ultra-Freezer (-80ºC)

O ultra-freezer -80°C é um equipamento aplicado ao armazenamento de amostras biológicas que mantém temperaturas extremamente baixas, geralmente em torno de -80°C. Pode ser utilizado para diversas finalidades, entre elas preservar células, amostras e reagentes.  Pode ser utilizado ainda no congelamento celular, como uma etapa intermediária antes do estoque das células em container de nitrogênio líquido.

Ultrafreezer -80°C para armazenamento de amostras biológicas e culturas celulares em laboratório.

Ultrafrezer -80oC. Equipamento utilizado para manter amostras de cultivos celulares à baixas temperaturas (-80oC). Fonte: Aguiar, A.M. (2025). Descrição estendida da legenda: Imagem fotográfica de um ultrafreezer a -80°C. Equipamento de grande porte em formato retangular, estrutura metálica robusta, apoiado diretamente sobre o piso de um laboratório, utilizado para o armazenamento de amostras de cultivos celulares em baixas temperaturas. Possui painel de controle digital com informações sobre temperatura e funcionamento do equipamento, e adesivos de segurança, incluindo o símbolo de risco biológico.

Container de nitrogênio líquido

Containers de nitrogênio líquido ou botijões criogênicos são indispensáveis para o armazenamento e conservação das células em temperaturas (em torno de -196ºC) possibilitando dessa forma o armazenamento de cultivos celulares.

Container de nitrogenio líquido para armazenamento de amostras a -196°C.

Container de Nitrogênio Líquido. Equipamento utilizado para manter amostras de cultivos celulares à baixas temperaturas (-196oC). Fonte: Kuligoviski, K; (2025). Descrição estendida da legenda: Imagem fotográfica de um container de nitrogênio líquido. O container é cilíndrico e robusto de médio porte, apoiado sobre sistema de rodas há rodas estabilizadoras, permitindo deslocamento seguro dentro do laboratório. Com tampa azul e alças laterais, utilizado para armazenar amostras de cultivos celulares a temperaturas extremamente baixas (-196°C). Outros containers semelhantes estão dispostos no ambiente ao fundo.

 

Infográfico sobre container de congelamento celular, freezer de temperatura ultra-baixa e container de nitrogênio líquido.

Equipamentos para Criopreservação. Container de congelamento celular, freezer de temperatura ultra-baixa (-80oC) e container de nitrogênio líquido. Adaptado de Freshney, 2010. Fonte: Criado em BioRender. https://BioRender.com/d71h597 Melo de Aguiar, A. & Souza, A, C, G. (2025) Sob licença CC-BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/). Descrição estendida da legenda: A imagem apresenta três equipamentos essenciais para a criopreservação de células em laboratórios: 1) Container de Congelamento Celular: Utilizado para o congelamento lento de células na presença de crioprotetores. Resfria amostras a uma taxa controlada de -1°C por minuto. Comporta até 18 criotubos, garantindo um processo de resfriamento uniforme. 2) Freezer de Temperatura Ultra-Baixa (-80°C): Armazena células a temperaturas constantes de -80°C para preservação segura. Impede a degradação celular antes da transferência para criopreservação de longo prazo. Amplamente usado em laboratórios de cultura celular e bancos biológicos. 3) Container de Nitrogênio Líquido: Também chamado de botijão criogênico, é o método mais seguro para preservação celular a longo prazo. Mantém células a -196°C, impedindo danos estruturais e viabilizando revitalização futura.

Comentários finais

Apesar de não específicos para uso em laboratório, também são utilizados outros Equipamentos gerais de Laboratório: Geladeira, Freezer, vórtex, agitador magnético.

 

 

 

 

Vamos testar seus conhecimentos no tema desse módulo?
Confira uma pergunta por vez

Quanto à cabine de segurança biológica, é correto afirmar que:

  • A) A cabine de segurança biológica utiliza filtros HEPA para manter um ambiente estéril, protegendo tanto o operador quanto as culturas celulares conta contaminação. B. A cabine de segurança biológica protege apenas o operador, não sendo necessário evitar contaminação das culturas celulares.

  • B) A cabine de segurança biológica protege apenas o operador, não sendo necessário evitar contaminação das culturas celulares.



Quanto ao microscópio no cultivo celular, é correto afirmar que:

  • A) O microscópio invertido com contraste de fase é o mais indicado para observar células vivas mantidas em frascos ou placas de cultivo.

  • B) Qualquer tipo de microscópio é adequado para o cultivo celular, e sempre é necessário preparar as células em lâminas.


Quanto à câmara de Neubauer, é correto afirmar que:

  • A) A câmara de Neubauer é utilizada apenas para contagem aproximada de células

  • B) A câmara de Neubauer permite a contagem celular e cálculo da viabilidade celular pelo uso de corante vital como o Azul de Tripan.

 

 

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